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Por que tantos doentes aguardam por uma cirurgia ortopédica?

É considerável o número de doentes que ficam meses internados nos hospitais à espera de tratamento cirúrgico. Muitos com fracturas importantes as que simplesmente foi colocada uma tala gessada e assim aguardam pela cirurgia. Com a demora, quando conseguem ir ao bloco, já não serão operados da fractura e sim das sequelas. Fracturas com critério cirúrgico Fracturas com critério cirúrgico, proteladas indefinidamente, complicam-se. 

A decisão de operar ou não uma fractura é assumida pelo ortopedista. As consequências de tal decisão, às sofre o paciente. A questão fundamental é saber se a cirurgia é verdadeiramente a melhor opção. Por vezes o recomendado não significa que seja o melhor.

Quase todas as fracturas podem ser tratadas sem cirurgia. Tem lesões nas quais o tratamento cirúrgico  não é facultativo, embora não sejam as mais frequentes. Fracturas fechadas ou isoladas, sem lesão vascular ou nervosa, podem geralmente ser tratadas sem cirurgia. De facto a cirurgia é a forma mais fácil e perigosa de tratar fracturas. Não há nada que uma cirurgia não possa piorar.

O tratamento conservador das fracturas tem uma curva de aprendizagem importante. Qualquer um consegue com poucas horas de treino,  aprender a colocar uma placa e vários parafusos num osso partido. O tratamento conservador é outra história, que não se  esgota na colocação duma tala gessada. É muito mais do que isso. Exige conhecimentos de biomecânica, de medicina e de arte. Aliás de muita arte.

Muitos doentes ficam atrapados entre a opção cirúrgica e o tratamento conservador. As enfermarias viram armazéns de sequelas musculoesqueléticas. São membros que ficam encurtados, com atrofia muscular e edema crônico. Doentes com escaras múltiplas, com rigidez articular provocada pela imobilização prolongada. Sequelas que complicam a solução cirúrgica. Que cobram mais recursos e sofrimento. Quanto mais tempo passa o doente nesse limbo terapêutico menor é a chance de recuperação.

Tem cirurgiões ortopédicos que não estão à vontade com o tratamento conservador. O ensino actual da especialidade, menospreza o tratamento conservador. Os internos de ortopedia são treinados para definir que tipo de implante vão a utilizar. Dedicam menos tempo a aprender qual tratamento convém mais ao paciente.

Como diz o ditado ” Para quem só sabe utilizar o martelo, todos os problemas resolvem-se com pregos”. 

Cirurgiões que trabalham no terceiro mundo obrigatoriamente devem estar treinados para tratar qualquer tipo de fractura, com ou sem cirurgia. Mas operar deveria ser a exceção da regra porque em nosso meio “excecionalmente” há condições idóneas  para intervir. Levar um doente  ao bloco operatório, sem ter recursos básicos para o sucesso, oscila entre a  irresponsabilidade e a acto criminal.

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